Belém, de 17 a 22 de outubro
Centro de eventos Benedito Nunes


Acompanhe as notícias da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã! O evento, promovido pela Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o Desenvolvimento Regional e Rede Nacional Pró-Mídia Cidadã, é uma realização da Universidade Federal do Pará.


Para mais informações acesse o site: http://www.midiacidada.ufpa.br/




sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Oficinas são realizadas durante o Mídia Cidadã

As cinco oficinas do Mídia Cidadã 2011 foram realizadas na última quinta-feira, 20. As atividades abordaram temas diversos como a produção de pogramas de rádio em escolas e comunidades e a comunicação da ciência por meio das novas mídias.

Rádio e Cidadania
Luciana Kellen é integrante da Rádio Margarida e diretora do programa “Estação”. Ela foi a responsável pela oficina “Cidadania nas rádios: noções básicas para a produção de programas de rádio em escolas e comunidades”. A proposta era apresentar características principais para a produção de programas e textos radiofônicos em escolas, organizações não-governamentais, comunidades etc.

Um dos pontos de destaque da oficina foi a discussão em torno do uso de uma linguagem adequada no rádio, evitando termos que, de alguma maneira, possam ferir os direitos de terceiros, garantindo os fins de cidadania e promoção dos direitos humanos, em especial os das mulheres, crianças e adolescentes.

Material obsoleto? Não aqui!
A metareciclagem se estrutura no reaproveitamento de qualquer material considerado obsoleto. A oficina de metareciclagem foi realizada com a proposta de combater a conhecida “obsolescência programada”, termo relaconado à velocidade em que as tecnologias são descartadas com o surgimento de novas. Dennie Fabrizio, responsável pela oficina, há muito tempo atuou na ONG “Projeto Saúde e Alegria” que, além de promover a inclusão social de ribeirinhos, financia pequenos projetos que apresentam modelos de desenvolvimento sustentável.

Blogs e redes sociais: transformação da realidade
Jader Gama, do Coletivo Puraqué, ministrou a oficina que surgiu com a propostar de apresentar como os blogs podem ser usados como ferramentas de comunicação na transformação da realidade de jovens em regiões periférias. Entre as atividades desenvolvidas, os participantes aprenderam a gerenciar conteúdos em plataformas como o Wordpress, assim como a atualização em outras redes sociais. Os blogs criados na oficina estarão disponíveis no site www.culturadigital.br.

Vídeos educativos
Os participantes da oficina entraram em contato com a produção de roteiros educativos. Mas o que seria um vídeo educativo? Para ser considerado como tal, ele deve buscar por meio de uma informação objetiva e direta, podendo ser em diferentes linguagens, a mudança de certos hábitos. José Arnaud, coordenador da ONG Rádio Margarida, ministrou a oficina e destacou a importância de vídeos educativos por ser uma área ainda pouco explorada, com a necessidade de profissionais capacitados no ramo.

Ciência e novas mídias
A jornalista Joice Santos, auxiliada pelos estudantes Paola Caracciolo, Jéssica Vasconcelos, Luena Barros e Tomaz Penner, ministrou a oficina “Práticas de comunicação da ciência utilizando novas mídias”. Eles integram o Laboratório de Comunicação Móvel, do Museu Paraense Emílio Goeldi, e apresentaram a possibilidade de divulgação científica por meio de mídias de baixo custo (celulares, por exemplo), além de incentivarem a produção de conteúdo sobre a Amazônia para expor, por meio dessas mídias, tanto para os habitantes, quanto para os que não vivem aqui, a diversidade da região, não só natural, mas também em outros aspectos. Joice ressaltou a troca entre o grupo que ministrava a oficina e os participantes, entre alunos e professores, em relação às técnicas utilizadas.

Texto: Laís Nunes

Começa oficialmente a II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã

A preocupação de se pensar em uma rede que fosse engajada, participante e empenhada em discutir sobre as formas alternativas de mídia fez com que em novembro de 2009 iniciasse as atividades de formação da Rede Brasileira de Mídia Cidadã.

Desde o seu início, teve como princípios que destacavam o fazer e o lutar por uma mídia ímpar, em que toda diferença estava no acreditar, lutar e mostrar alternativas para o modelo de mídia vigente e que nos é imposto como verdadeiro ou como padrão de informação e verdade, limitando a sociedade de acordo com os interesses dos veículos, assim, tornando-os fantoches. A mídia alternativa veio dar sentido, dar voz e vez e mostrar a realidade ao povo.

A fim de promover a discussão entre a sociedade civil, cientistas sociais, advogados, professores e estudantes de diversas áreas de estudo, iniciou-se ontem, 20, no Centro de Eventos Benedito Nunes (UFPA) a II Conferência Brasileira e VII Conferência Sul-Americana de Mídia Cidadã. Com a presença de alguns precursores da Rede Brasileira de Mídia Cidadã, tais como as professoras Cicilia Maria Krohling Peruzzo e Ariane Carla Pereira.

“É preciso acreditar, fazer e conscientizar os cidadãos sobre o potencial de uma mídia alternativa e trabalhar efetivamente, afinal os nossos desafios são muitos, e começam pelas palavras que designam atitudes”, disse a professora Ariane Carla, que atualmente preside a Rede Brasileira de Mídia Cidadã.

A primeira Conferência Brasileira de Mídia Cidadã ocorreu na Universidade Metodista, na cidade de São Paulo, no fim do ano de 2009, e teve como objetivo tratar do mapa da comunicação cidadã. Ao final do evento, foi elaborada a carta de São Bernardo, que hoje tem o debate principal retomado na II Conferência Sul-Americana VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã por meio do tema “Amazônia e o direito de comunicar”. A professora Cicilia Peruzzo destacou que a preocupação com a democratização da comunicação como direito humano ainda não está assegurado, de fato, devido a fatores sociais, econômicos e políticos.

A exclusão social agravada pela má qualidade da educação restringe ainda mais o direito de comunicar para a população, dificultando o acesso aos meios e, sobretudo, da produção de conteúdo. A cidadania no comunicar não inclui somente o acesso à informação, mas também a sua compreensão, assumindo, com isso, o protagonismo como agente dos processos de comunicação.

Texto: Myrian Connor

Atenção! Segundo dia de Mostra de Vídeo Cidadão será no Auditório do ITEC (UFPA)

A III Mostra Nacional de Vídeo Cidadão terá continuidade nesta sexta-feira, 21, a partir das 14h. Hoje, as exposições serão no Auditório do Instituto de Tecnologia (ITEC), localizado no campus profissional da Universidade Federal do Pará (UFPA). O acesso mais fácil é pelo Portão 3 da UFPA. Há monitores no local para informar os participantes. A Mostra de Vídeo Cidadão integra a programação da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã.


Comissão Organizadora

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Produção audiovisual de várias partes do Brasil presente no Mídia Cidadã 2011

3ª Mostra Nacional de Vídeo Cidadão retrata a multiplicidade cultural e social do país por meio de trabalhos voltados ao social.

A diversidade cultural e social do Brasil nos revela desafios e possíveis soluções para a plenitude da cidadania. Essa pluralidade de experiências é amplamente abordada por pesquisadores de diferentes universidades e instituições afins, que buscam analisar as problemáticas sociais brasileiras e produzem material de análise que fomentam debates sobre o tema.
Para o compartilhamento
desses materiais, foi realizada a 3ª Mostra Nacional de Vídeo Cidadão, na manhã desta quinta-feira, 20, abrindo o dia da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã. Cerca de 20 trabalhos foram apresentados para um grande público, mostrando a relação entre a comunicação cidadã e o próprio povo, por vários ângulos.

Foram expostos vídeos produzidos em universidades de outros estados, além de produções locais, valorizando os múltiplos pontos de vista sobre como fazer uma mídia voltada para as comunidades, cada vez mais próxima do cidadão.


Uma das expositoras, a professora Ariane Pereira, da Universidade Federal do Centro-Oeste (UNICENTRO-PR) mostrou a situação de abandono de alguns bairros pobres da cidade paranaense de Guarapuava. A série de vídeos “A voz das ruas”, projeto realizado pelos seus alunos de Jornalismo, denuncia o descaso por parte do poder público com relação aos moradores.

Segundo Ariane, idealizadora da Mostra em 2009, a proposta é a de divulgar pesquisas e suscitar discussões: “O Brasil é um pais plural e a idéia é a de mostrar a todo o país as problemáticas existentes e promover o debate de idéias para construir uma comunicação cidadã”.
Além de promover o debate, o evento tem como objetivo “fomentar a produção científica nacional, com relação à mídia cidadã, para que mais pessoas no Brasil inteiro tenham acesso a esses vídeos e possam participar dos debates. Esse é o foco do evento”.

Raquel Trindade, aluna do 4º semestre de Jornalismo da UFPA, mostrou um projeto de Rádio Escolar na Ilha de Caratateua, em Belém. Os alunos da Escola Estadual do Outeiro fazem funcionar, orientados em uma oficina de rádio, uma estação com programação própria transmitida para todo o colégio, graças à dedicação de professores e dos próprios jovens.
Para Raquel, a proposta era buscar uma mídia alternativa que propusesse um benefício social a uma comunidade. “Quando falamos de mídias alternativas, o intuito é de que ela seja um transformador social, e neste caso de Outeiro, foi o que aconteceu”, disse a estudante.

Ainda sobre a Rádio Escolar, os alunos engajados no projeto passaram a enxergar o mundo com outros olhos, críticos com relação à sociedade e que as mudanças sociais ultrapassaram os limites da escola. “A gente tem voz, mas precisa ser ouvido. Por meio do projeto, estes alunos conseguem ser ouvidos”, afirma a estudante.

Texto
: Gustavo Ferreira

Foto: Roberta Aragão

Professores e estudantes interagem na Sessão de Lançamento de Livros

Entre paradas para receber um elogio ou para escrever uma dedicatória, os autores expostos na Sessão de Lançamento de Livros do Mídia Cidadã 2011 aproveitaram o momento para trocar experiências. O hall do auditório do Centro de Eventos Benedito Nunes foi tomado por uma atmosfera de descontração em que estudantes aproximavam-se dos professores nos seus diversos idiomas.

Pelo menos dez obras foram expostas. Títulos de professores renomados como César Bolaño - Comunicación, Educación y Movimiento Sociales em América Latina -, Fábio Castro - A Cidade Sebastiana. Era da Borracha, memória, melancolia numa capital de periferia da modernidade -, além da coletânea “Belém do Pará: história, cultura e sociedade” que congrega artigos da professora e pesquisadora do Núcleo de Altos Estudos da Amazônia (NAEA) Ligia Simonian.

Um dos livros lançados foi “Economia Política da Comunicação: convergência tecnológica e inclusão digital”, do professor Valério Brittos, no qual ele aborda como a sociedade pode se apropriar das tecnologias para buscar minimamente a horizontalidade da Comunicação. Brittos enfatiza que a ideia da convergência tecnológica e da inclusão digital não encerram o problema por não serem suficientes e por haver necessidade de passar pela questão das políticas públicas, mas aponta a inclusão como um dos caminhos para essa horizontalidade.

Outra leitura importante para qualquer estudioso da Comunicação é a coletânea organizada pela professora Sônia Virgínia Moreira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que mapeia o radiojornalismo brasileiro ao longo de 70 anos com diversos artigos de pesquisadores de todo o país. Pesquisadora em rádio no Pará, a professora Luciana Miranda também tem artigo publicado na coletânea. “70 anos de Radiojornalismo no Brasil” traz em suas páginas a história desse veículo e aborda também os aspectos políticos, econômicos e sociais do país.

No âmbito local, o livro rememora a fundação da Rádio Clube do Pará, primeira emissora de rádio do Norte do Brasil e atuante até hoje, além das histórias dos primeiros programas e a contribuição e influência desses produtos refletida, inclusive, atualmente.

Texto: Rosana Itaparica
Foto: Renan Mendes

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Um canto de protesto contra Belo Monte

Foi com a apresentação do cordelista João de Castro que nesta quarta, 19, continuou o I Festival de Artes Mídia Cidadã, que ocorre dentro da programação da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã.

A apresentação de João mostrou o quanto é forte a ligação entre música e poesia, especialmente entre música e literatura de cordel. A literatura de cordel pode ser cantada ou falada. De um modo ou de outro, a musicalidade lhe é um
elemento particular.

João é um poeta independente. Custeia e publica o seu trabalho com recursos próprios. Por conta da pouca visibilidade que tem, ele acha sempre positivo quando lhe abrem espaço para divulgar o seu trabalho.

É antigo o interesse de João de Castro pela poesia em geral e principalmente pela literatura de cordel. “Eu sou poeta de berço”, diz. Na opinião de João, a literatura de cordel é uma das formas de expressão e de comunicação mais vigoras e incisivas para fazer protesto e crítica social. Por meio da literatura de cordel, João de Castro expõe situações cotidianas, assim como questões e posições políticas. Segundo ele, a literatura de cordel viabiliza a compreensão, tanto do leitor quanto do ouvinte. “É uma linguagem didática, de fácil compreensão.”

Na apresentação de hoje, montada especialmente para o Mídia Cidadã, o cordelista João foi acompanhado pelos músicos Samuel Bezerra (Percusionista) e Fernando Vahia (Violonista). A ideia de musicar alguns textos do livro “Belo Monte: O Belo do Destruir”, de João de Castro, partiu de Samuel e Fernando.

Essa foi a primeira vez que os três se apresentaram juntos. Até então, eles nem sequer se conheciam. O primeiro contato entre eles se deu justamente no dia do único ensaio que fizeram para a apresentação. Eles pretendem, para a alegria dos fãs da literatura de cordel e da boa música, seguir adiante com o projeto.

Texto: Pedro Fernandes
Foto: Tammy Caldas

MST e ONG Rádio Margarida na Feira Nacional de Mídia Cidadã


Durante os dias da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã acontece a IV Feira Nacional de Mídia Cidadã. O espaço tem a proposta de expor e compartilhar conhecimento e vivências a partir de diversos produtos de comunicação realizados por profissionais, acadêmicos, integrantes de movimentos sociais, organizações não-governamentais e representantes da sociedade civil.

A ONG Rádio Margarida foi criada em julho de 1991, em Belém, e trabalha com vários produtos de comunicação como audiovisual e impresso. Radio novelas, curtas-metragens e as revistas da ONG estão expostos em um dos estandes da feira. O trabalho da organização é voltado para o combate, principalmente, à exploração infanto-juvenil.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também marca presença na Feira. São 27 anos lutando por uma justa redistribuição de terra. Entre o material exposto, além das edições do “Jornal Sem Terra”, pode ser conferido também o “Jornal da Juventude Sem Terra”.

A IV Feira Nacional de Mídia Cidadã acontece até a próxima quinta-feira, 20, e está sendo realizada no Centro de Eventos Benedito Nunes, na UFPA.

Texto: Daniel Gomes
Foto: Everton Nascimento