Belém, de 17 a 22 de outubro
Centro de eventos Benedito Nunes


Acompanhe as notícias da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã! O evento, promovido pela Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o Desenvolvimento Regional e Rede Nacional Pró-Mídia Cidadã, é uma realização da Universidade Federal do Pará.


Para mais informações acesse o site: http://www.midiacidada.ufpa.br/




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Preservação da cultura indígena é tema de exposição da IV Feira Nacional de Mídia Cidadã

A exposição “Arte e Etnia” traz fotos e utensílios para mostrar a cultura indígena preservada e miscigenada.

Montada no hall de entrada do Centro de Eventos Benedito Nunes, na UFPA, a exposição apresenta a cultura das etnias Asurini, Aweté, Kayapó e Tapajós por meio de fotografias, artesanatos e utensílios. São trabalhos artísticos em telas, pinturas corporais, rituais contados pelas câmeras de Jaime Lisboa, Alice Kholer e Alberto Apuero. Coordenada pelo consultor-executivo Jaime Lisboa, a exposição tem a proposta de fazer com que essas culturas sejam conhecidas e preservadas.

Miçangas e sementes são alguns dos materiais utilizados nas confecções dos colares. Armas fabricadas pelos índios também compõem a exposição, que conta histórias indígenas remotas e atuais. “Eles pegam elementos da cultura branca e dão um novo significado para esses elementos. Por exemplo, eles vêem os molhos de chaves que os brancos carregam e os consideram importantes, que eles têm poder, e assim, transformam as chaves em pingentes e carregam no pescoço”, explica Jaime.

Jaime destaca também que 90% das línguas que existiam no Brasil se extinguiram com a colonização europeia e que hoje a população indígena ocupa apenas 12% do território nacional. Segundo ele, “a tendência é sumir”, e essa é uma das causas que o fez montar a exposição.

A exposição “Arte e Etnia” fica disponível até a próxima quinta-feira, 20, e integra a programação da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã.

Texto: Gustavo Aguiar
Foto: Tammy Caldas

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“Entranhe-se” no Mídia Cidadã 2011


Com a proposta de ser uma obra que se (des)constrói em interação com o público, a instalação “Entranhe-se”, do artista plástico Teodoro Negrão, abre o I Festival de Artes Mídia Cidadã, no primeiro dia de atividades do Mídia Cidadã 2011. A obra é elaborada a partir do miriti, produto tropical extraído da palmeira maurita flexuosal, comumente chamada de miritizeiro, encontrada nas matas, várzeas e beiras dos igarapés amazônicos.



“A idéia é que o público interaja com a obra, que ele se sinta proprietário dela, a transforme”, diz Negrão, artista plástico autodidata e estudante do Curso de Cenografia da Escola de Teatro e Dança da UFPA.



“Entranhe-se” é resultado do Prêmio Proex de Arte e Cultura 2010 e parte da pesquisa de mestrado do professor Bruce Macedo, sobre o miriti. Negrão, no entanto, busca experimentar novas formas de resistência e estética para o miriti, tradicionalmente utilizado por artesãos do município de Abaetetuba para fabricar brinquedos e comercializá-los durante o mês de outubro em Belém, no Círio de Nossa Senhora de Nazaré.


Arte em Miriti - Na concepção de “Entranhe-se”, o artista parte de duas pontas de miriti que vão entrelaçando-se e tomando forma, criando possibilidades variadas de leitura. A instalação tem como princípio o trabalho manual (estilete e mão). Pensada para espaços públicos, a obra propõe-se como uma obra aberta. “O nome ‘Entranhe-se’ é para que o público sinta-se livre para intervir, ela é uma obra efêmera. Em outros locais, teve gente que começou a mexer na estrutura, mudando a sua forma. Isso para mim é transformar, recriar a obra”.


Por essa idéia de diálogo, interação, Negrão considera que “Entranhe-se” comunica-se com o público. Por isso, ele vê no Mídia Cidadã 2011, um espaço privilegiado para a exposição de seu trabalho. “A obra tem essa relação abstrata com o homem, cada um vai ter uma opinião sobre ela. Me sinto bem dentro desse processo de comunicação, mas o importante é que o público tenha essa incomodação, eu quero é cutucar para ver no que vai dar”.


Artista e obra - Teodoro Negrão mora em Belém, tem 33 anos e é joalheiro. Trabalha há cerca de dois anos e meio com o miriti. A partir desse material, já criou bois-bumbás, máscaras africanas, objetos para o grupo de cultura popular Arrarial do Pavulagem e para escolas de samba para o Carnaval de Belém.


“Entranhe-se” já foi exposta em outros locais, como a Praça da Bíblia, na Cidade Nova e na Praça da República, atrás do Instituto de Ciências da Arte (ICA). Porém, a instalação não se repete, sendo recriada em cada espaço de exposição.Para contatar o artista, acesse o Facebook: Teodoro Negrão Negrão.






Texto: Gleidson Gomes

Foto: Tammy Caldas

Uma campanha que fecha as portas para a exploração sexual e abre convite à reflexão e ao diálogo

O diálogo é um exercício que se aprende desde criança. Crescemos e aprendemos que a comunicação é mais do que acessória, ela é um direito básico do ser humano e condição para a democracia. Por isso, não basta o acesso à informação e o combate à censura, mas é necessário criar condições para garantir que todos possam comunicar. Essa é a comunicação como um direito. E este é um convite para refletir a comunicação enquanto um dever.


Temos o dever de comunicar quando a sociedade necessita: para garantir a ordem, o bem estar, os direitos humanos e tudo o que venha a trazer benefícios para a coletividade. Desde 2005, uma iniciativa em Belém do Pará tem contribuído para sensibilizar, quebrar o silêncio e incentivar o diálogo contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.

A campanha



O silêncio diz muita coisa, e muitas crianças e adolescentes têm sido silenciados pela violência da exploração sexual. Para evitar esse silêncio e o de quem pode falar, mas não denuncia, a campanha “Exploração Sexual – Estamos de Portas Fechadas” se lançou em um dos setores onde esse tipo de crime acontece: o turismo.


A campanha, que tem como principal objetivo prevenir a exploração sexual de crianças e adolescentes, é voltada para os hotéis e outros setores que formam a rede de turismo no Pará. É fruto de uma parceria entre a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis (ABIH-PA) e o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA-Emaús), de Belém-PA.


Avaliada como uma das piores formas de trabalho infantil, a exploração sexual de crianças e adolescentes é também considerada crime pela legislação brasileira, que pune quem pratica, facilita ou atua como intermediário. Mas é na prevenção que a campanha “Estamos de Portas Fechadas” atua: convidando os hotéis e demais estabelecimentos ligados ao turismo a participarem da iniciativa; formando o quadro de pessoal dos hotéis que já aderiram para identificarem e procederem nas situações de exploração; estabelecendo um Código de Conduta para orientar os que participam e um constante monitoramento das suas ações; e, futuramente, certificando os estabelecimentos que apresentarem conduta exemplar no turismo sustentável e na defesa dos direitos humanos.


Nesse sentido, as pessoas e empresas do setor turístico, por terem grandes chances de ficarem expostos a esse tipo de crime, podem trabalhar como multiplicadores dos princípios de defesa dos direitos da criança e do adolescente. “A ideia é de que a gente possa, no futuro, utilizar a rede do turismo como uma grande rede de proteção”, afirma Carlos Freire, presidente da ABIH-PA.

Referência


No final de agosto, foi lançada a segunda fase da campanha que já é considerada um modelo no turismo sustentável e direitos humanos. O olhar diferenciado para o tema foi decisivo para o sucesso da iniciativa: a sensibilização promovida permite que seja considerado todo o contexto do problema, visto como resultado de uma série de implicações que devem ser consideradas. Assim, quem antes ficava alheio à exploração sexual passa a se sentir também um responsável pela sua prevenção.


Pensada para atender uma demanda local, ou seja, de Belém que não está no topo dos destinos turísticos onde mais ocorre esse tipo de crime, a campanha repensou as peças publicitárias destinadas ao setor turístico de forma geral e tirou o foco da denúncia e punição para centralizar na sensibilização e prevenção.


Para chamar atenção para a importância do diálogo e da comunicação, dá abertura para que se forme uma rede de proteção, e não apenas um modelo de campanha que vem “do alto”, de quem conhece o tema de forma profunda e/ou produz o material comunicativo para um público não considerado nas suas especificidades. Nesse sentido, a campanha não só vai além desse modelo amplo de abordagem, mas também ultrapassa a abordagem superficial que a mídia de forma geral dá a esse tipo de assunto: “Ela [a mídia] dá uma ênfase muito grande [em determinados casos], mas não levanta uma discussão na sociedade: quais são as alternativas? Quem está fazendo o quê? Como fazer para que isso não volte a se repetir?”.


Hoje, além da parceria inicial entre CEDECA-Emaús e ABIH-PA, o movimento conta também com a parceria de organizações como o Instituto Criança Vida, o Pro Paz (Governo do Pará) e o Ministério Público do Trabalho.




Texto: Élida Cristo

sábado, 15 de outubro de 2011

Encerramento do Mídia Cidadã 2011 no coração cultural de Belém

A programação do último dia da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã será realizada no Espaço Municipal Cine Olympia, local significativo para a cultura local, não somente por sua história e localização, mas pelo processo que o tornou o espaço de cultura que é atualmente.

Considerado o cinema mais antigo em funcionamento no país, o Cine Olympia foi fundado no dia 24 de abril de 1912 pelos empresários Carlos Teixeira e Antonio Martins, que também viriam a ser donos do Grande Hotel e do Palace Theatre, que funcionaram no mesmo perímetro e eram ícones da riqueza e glamour trazidos pela economia da látex.

Em 1960, o cinema passou por uma reforma que mudou sua fachada eclética para traços modernistas, que então estavam na moda. Apesar disso, sofreu com a falta de infra-estrutura ao longo das décadas seguintes. Quase fechou em 2006, mas a partir de um acordo entre a empresa proprietária e a prefeitura de Belém, continuou suas atividades como espaço cultural, agora sob coordenação da Funbel (Fundação Cultural do Município de Belém).

Participação Cidadã e Cultura

Nesse processo, foi notório o envolvimento da população, que compareceu em peso àquela que seria a última sessão do cinema e chamou atenção para importância de que o espaço continuasse funcionando.

Atualmente, o Espaço Municipal Cine Olympia atende à população como local de seminários, debates e outros eventos, além das mostras regulares de filmes nacionais e internacionais para diversos públicos, com destaque para o infanto-juvenil, com o projeto A Escola Vai ao Cinema. Ações de cidadania como as discutidas durante todo o Mídia Cidadã 2011, e que têm como ponto central mídias cinematográficas e audiovisuais.

Recentemente, vêm sendo desenvolvido um projeto para ampliar o alcance das atividades de cultura e educação realizadas no espaço, por meio de parceria com o curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Pará, de maneira a agregar ainda mais pessoas na produção, distribuição, fruição e crítica de cinema e audiovisual

A Praça da República

O Cine Olympia está localizado na Praça da República, outro importante patrimônio da cidade de Belém. Conhecida originalmente como Largo da Pólvora, a Praça da República é uma referência para o paisagismo da cidade, abrigando em seu entorno prédios históricos importantes como o neoclássico Theatro da Paz, inaugurado em 1878.

A Praça da República passou por diversas transformações ao longo do tempo é uma referência simbólica do período conhecido como a Belle Èpoque amazônica. Além de ser uma rica amostra das interações, conflitos e diálogos socioculturais que se estabeleceram ao longo da história do Pará e da Amazônia, a praça da república continua sendo palco para importantes manifestações culturais da cidade, sendo utilizada por grupos de teatro, companhias folclóricas, artesãos e outros artistas de rua para apresentações e venda de produtos.

Texto: Uriel Pinho

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Programação disponível!

A programação do Mídia Cidadã já está disponivel no nosso site www.midiacidada.ufpa.br.

Lá você poderá conferir os temas que serão debatidos durante a II Conferência Sul-Americana de Mídia Cidadã e da VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, os convidados da programação e ainda as atividades culturais que irão acontecerão durante toda a semana.

São ações que visam reunir estudantes e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, profissionais liberais, comunicadores, militantes e representantes de movimentos sociais, de ONGs e demais representantes da sociedade civil para o debate sobre o papel dos meios de comunicação e a reflexão sobre a utilização da mídia como motivadora da cidadania.

Veja programação comleta no link

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Rede Brasileira de Mídia Cidadã

Quando a Conferência Brasileira de Mídia Cidadã estava em sua 5ª edição, em 2009, na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Guarapuava-PR), começava a se consolidar uma rede de instituições e pesquisadores que se uniriam em torno de um objetivo comum: por uma mídia mais cidadã. O que inicialmente estava apenas no plano das ideias, nas conversas entre José Marques de Melo e Maria Cristina Gobbi (na época diretor e diretora-suplente da Cátedra Unesco/Umesp para o Desenvolvimento Regional) e Ariane Pereira (Unicentro, Guarapuava/PR), foi levado para outros pesquisadores durante aquele Mídia Cidadã. Estes também abraçaram a ideia.


O grupo, agora maior – pois já contava com o apoio de Claudio Muller (Fadep, Pato Branco/PR), de Ilka Goldschmidt (Unochapecó, Chapecó/SC) e de Iluska Coutinho (UFJF, Juiz de Fora/MG) –, se reuniria pouco mais de um mês depois para concretizar a Rede Brasileira de Mídia Cidadã. Um Comitê Gestor da Rede foi criado já com pautas para serem cumpridas: a realização da VI Conferência Brasileira de Mídia Cidadã e da I Conferência Sul-americana de Mídia Cidadã, o desenvolvimento de ações como recuperar e sistematizar a memória do evento, a aproximação com outros organismos sociais e a publicação de livros e/ou revistas em torno do tema mídia e cidadania.


Hoje, os desafios iniciais foram conquistados: dois livros já foram lançados, o site com a memória dos eventos e a apresentação da Rede já está no ar (http://www.unicentro.br/redemc/) e estamos às vésperas da II Conferência Sul-americana e da VII Conferência Brasileira.


A Rede Brasileira de Mídia Cidadã está consolidada e em constante movimento: a continuidade do projeto está no convite que se faz a empresas de comunicação, sociedade civil, universidades e demais entidades e atores sociais para que se juntem à Rede e contribuam para que o debate permaneça sempre atual e que suas as ações e leituras críticas alcancem o maior número possível de pessoas.

Rede que conecta, rede que envolve


Em entrevista concedida à organização do Mídia Cidadã 2011, Ariane Pereira (coordenadora da Rede Brasileira de Mídia Cidadã), falou da diversidade midiática e cultural do Brasil e da importância da Conferência ser realizada em diferentes lugares para o compartilhamento de experiências e conhecimentos entre as diferentes regiões do país.


Componente essencial da Rede, as Conferências de Mídia Cidadã são de extrema importância não só porque são momentos únicos de encontro entre os seus membros, mas porque também permitem a inclusão de novos adeptos e parceiros à causa. Como a rede de pescaria, a Rede em prol de uma mídia mais cidadã se lança nas diferentes regiões do país, sensibiliza e envolve mais pessoas. A expectativa é de que na Região Norte, onde se realiza pela primeira vez, seja da mesma forma.


Texto: Élida Cristio

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A Folkcomunicação na Amazônia

A Folkcomunicação é tida como a primeira teoria brasileira de comunicação e tem como grande alicerce a tese de Luiz Beltrão, defendida na Universidade de Brasília em 1967. O pesquisador pernambucano vê no folclore uma forma de comunicação coletiva. De acordo com Beltrão, a Folkcomunicação é “o processo de intercâmbio de informações e manifestação de opiniões, idéias e atitudes da massa, por intermédio de agentes e meios ligados direta ou indiretamente ligados ao folclore”.



Ao longo dos anos, a teoria de Beltrão foi ganhando novo fôlego na academia, sendo atualizada e reformulada. Marques de Melo destaca as contribuições de Joseph Luyten, evidenciando a sua concepção de folkmídia, na qual amplia-se a percepção dos processos folkcomunicacionais, não mais considerados apenas a partir da tradução das mensagens massivas pelos comunicadores folk como previam os estudos fundacionais, mas, também, como a apropriação da cultura popular pela indústria cultural, inclusive o turismo.



Em âmbito latino-americano, a Folkcomunicação é discutida nos congressos da Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (ALAIC), nos congressos da INTERCOM e a Revista Internacional de Folkcomunicação , ambos voltados para as discussões e difusão desta área de pesquisa.

O contexto cultural amazônico



A região amazônica caracteriza-se culturalmente por uma “diversidade diversa”, no dizer do professor e poeta João de Jesus Paes Loureiro. Para além da riqueza produzida pelo imaginário local, mergulhado em lendas e mitos, no âmbito da cultura popular as manifestações expressam a criatividade do caboclo amazônico, indo desde o boi-bumbá, até aos pássaros juninos e cordões de bicho, no estado do Pará, especificamente.



Por esta característica, a Amazônia torna-se um espaço privilegiado para a pesquisa em Folkcomunicação, na medida em que esta teoria volta-se para a análise dos processos comunicativos desenvolvidos a partir da cultura popular. À necessidade de observarmos, no contexto amazônico, a interrelação existente entre a comunicação e a cultura. Mais especificamente, a Folkcomunicação permitiria compreender a cultura popular na Amazônia em seus aspectos comunicativos.



E é nesse sentido a proposta das Conferências de Mídia Cidadã, que acontecem em Belém do Pará, no período de 17 a 22 de outubro. A ideia é trazer para a academia e sociedade amazônicas, no decorrer das mesas, painéis e mostra de vídeo que compõem a programação, as experiências práticas de comunicação dos grupos populares e movimentos sociais, bem como debater as pesquisas realizadas em torno destes temas.



Mais informações em: http://www.midiacidada.ufpa.br/


Texto: Gleidson Gomes